Saturday, September 29

Gosto de acordar de manhã, nestas manhãs de outono, com os raios de sol a entrarem pelos buraquinhos da persiana e dirigir-me para a cozinha para beber um chocolate quente. Gosto de me sentar no sofá da sala e ver televisão enrolada numa manta. Gosto de andar sem telemóvel. Gosto de andar sozinha a pensar na minha vida. E ontem pensei, enquanto corria na passadeira e enquanto, mais tarde, me deitei nesta cama onde agora me encontro a ouvir música. Pensei que agora tudo está bem, todas as peças do puzzle da minha vida encaixam umas nas outras, e descobri que agora estou feliz de uma maneira que às vezes me assusta. Não podia ter mais nada para me sentir tão feliz. Gosto de estar comigo, só comigo. Gosto de não ter ninguém em quem pensar a toda a hora e gosto de sentir esta sensação de liberdade por não me lembrar de nenhum nome quando se fala em "paixão". Gosto de ter argumentos suficientes para saber perfeitamente que sou livre, para saber de quem eu preciso e de quem não me preciso. Durante muito tempo eu vivia para agradar às pessoas e deixava de fazer isto ou aquilo pelo que as pessoas poderiam pensar. Agora não. A vida deu-me experiências que me fizeram ver que os meus amigos não são este ciclo de amigos com quem eu não me sinto bem, estes amigos que me deixam a auto-estima em baixo com coisas que dizem - e ainda ontem aconteceu. Mas desta vez, saí do autocarro, sorri e comecei a minha caminhada, vista cá de cima.

Thursday, September 27

"Quantas vezes te odiaste? Odiaste-te por pensares que não eras boa o suficiente? Que a tua capacidade comparada com as outras era " nada " ? Quantas vezes ? Diz-me ! Quantas vezes te achaste gorda, feia ... ? Quantas vezes te comparaste com outras ? Te magoaste ao ver que eras a pior do "grupinho" ? Quantas ? Quantas vezes choraste por seres o que não querias ser ? Quantas vezes te afastaste só para não seres criticada pela tua maneira de ser ? Quantas vezes sorrias falsamente para não te passares por coitadinha ? Quantas vezes disseste que não se passava nada mas na verdade passava-se tudo ? Quantas vezes ? Quantas vezes te chamaram de tudo , incluindo puta sem o seres ? Quantas vezes te deitaram abaixo ? E quantas vezes os ignoraste ? Nenhuma certo ? Daí estares na maneira que estás."
Fazes parte do meu passado mas nunca poderei apagar-te da minha memória. Às vezes lembro-me de ti e dos nossos tempos. Hás-de ser sempre o primeiro.
Amanhã fazíamos um mês, e apetece-me escrever. Fui fraca ao longo deste mês, ao primeiro obstáculo desisti. Não fui capaz de ceder à chantagem emocional que fizeram comigo, não fui capaz de rejeitar opiniões de outros, mas também não fui capaz de ignorar o que soube sobre ti, que tanto me pertence saber. Se calhar fui mesmo fraca. Tanto tempo a queixar-me que não havia capaz nenhum que gostasse de mim tal e qual como eu era, que ninguém me valorizava e aceitava, e de repente apareces tu, que gostas de mim quase como ninguém, que aceitas e adoras cada bocadinho de mim, e eu deixo-te escapar assim. Porque quis. Mas eu não seria capaz de ter uma relação à distância. Não agora. Não posso estar "presa" a um rapaz que vive a muitos quilómetros de mim, a um rapaz que só vou ver no verão, a um rapaz que tem 15 anos e uma vida por viver. Não consigo, pelo menos agora. Talvez a justificação para isto é não gostar o suficientemente de ti. Talvez. Mas sei que gosto, ou gostei. O pouco tempo que estivemos juntos e as minhas más experiências com a distância e com gostar a sério de alguém - bem recente - não permitiram que me apaixonasse loucamente por ti em duas ou três semanas. Desculpa-me. Desculpa-me se te magoei, se te fiz sofrer, se estraguei os planos que tinhas feito para nós, se fiz com que perdesses tempo, se te desiludi. Só segui o meu coração, e isso é o melhor que eu posso fazer.

Tuesday, September 25

A chuva trouxe-me a vontade do mar, de estar na Costa com os meus pais, adormecer ao som da chuva e acordar de manhã com pingos que caem dos pinheiros e com o som da minha mãe a varrer as carumas da esplanada; vestir umas calças de fato de treino, uma uma blusa bem quente e ir andar de bicicleta, ou ficar simplesmente dentro da tenda a ver televisão; almoçar um peixe-espada-preto grelhado - oh que bom - e deliciar-me com um livro durante da tarde. E como é bom acabar o dia com um jogo de cartas de pais contra filhas, onde há a batota da minha irmã e o meu mau perder.
A Costa é o meu paraíso, a minha casa. Magnífica. E falando muito a sério, já aqui vivi tanta coisa que nem sei o que seria da minha vida sem este sítio. 

Monday, September 24

Acabei de te dizer: há coisas que só tu entendes e só tu tens aquele dom especial para me fazer ver o mundo como ele é, e ainda me fazeres sorrir. E não é verdade?

Friday, September 21

Ainda bem que consegui ultrapassar tudo e já aprendi a conjugar o verbo 'gostar' no pretérito perfeito. Mas tenho medo de não voltar a gostar de alguém como gostei de ti, mesmo tendo a certeza absoluta de que hoje o que sinto por ti não passa de amizade.

Sunday, September 16

Preciso de obter de novo as certezas que tinha.
Não sei o que se passa comigo, nunca fui de magoar as pessoas, nunca foi o que quis. Mas sei que o estou a fazer. Sentir que quase tudo se apagou com o tempo, com o vento ou com o que lhe queiramos chamar era a ultima coisa que eu queria sentir. O vento levou a esperança que tinha em nós. Não mereces nada do que eu te estou a fazer, e eu a última coisa que queria era magoar-te. Queria continuar como este mês que passou, queria que se multiplicasse por muitos mais, mas há alguma coisa que me está a impedir de sonhar connosco, de acreditar em nós. Não tenho nada em que acreditar, não vejo os dias em que posso estar contigo porque esses dias não existem. Só quero que sejas feliz, que me deixes ir, que vás também. Quero que encontres alguém melhor que eu, alguém que esteja todos os dias contigo, alguém que te possa dar o que eu não posso. Quero que sejas feliz com alguém que ficará feliz contigo também. Não quero que sejamos um casal de passarinhos preso numa gaiola a quilómetros de distância de tudo e de todos. Precisamos de continuar à solta. Felizes. Tudo passa… Amanhã já tens uma asa nova, ainda mais bonita e forte. Há aí muitos outros passarinhos com quem podes namorar, mas desta vez, no cimo de um pinheiro ou sob um banco de um jardim. Vai.

Saturday, September 8

Estou com uma dor de cabeça infernal, daquelas que me dizem ‘Rita, precisas de descansar’, mas hoje é mais uma daquelas noites em que me apetece escrever. Escrever sobre ti, para ti. Acho que cada vez gosto mais de ti, cada vez tenho mais vontade de estar contigo, de te abraçar, de dizer – a ti e ao mundo – o quão gosto de ti. Já passa das quatro da manhã e estamos os dois a recordar como tudo começou, o quão inesperado foi, o quão bonito foi o cruzamento dos nossos pensamentos e a união dos nossos corações. O meu anda bem quentinho, cada vez mais junto ao teu, quase como se os teus braços me tivessem a proteger do frio numa noite de inverno, ou simplesmente o calor das nossas mãos unidas num passeio à beira-mar. Eu espero que passemos muitas dessas noites, em frente à lareira, unidos sob uma manta polar, ou que estejamos juntos para darmos muitos desses passeios, na nossa praia. Nós, e mais uma vez, os nossos corações. Unidos.

Thursday, September 6

Hoje sinto-me bem, como se nada nos separasse, como se os quilómetros de estrada que nos separam fisicamente não existissem e tu estivesses aqui ao meu lado, sentado ou deitado na minha cama com os meus dedos entrelaçados nos teus caracóis, a partilharmos este aroma apaixonado. Acho que esta noite vou sonhar contigo e de manhã vou acordar com o sorriso mais bonito do mundo. Afinal não, o mais bonito é o teu. E agora acabei de te ouvir, cá nas minhas memórias, a chamar-me. Oh, gosto tanto. Gosto tanto que chames por mim e digas ‘és tão fofinha’ ou ‘gosto tanto de ti’. Sabes porquê? Porque eu gosto igualmente de ti. Não te sei explicar porquê, e muito menos sei como me vieste parar às mãos, ou eu às tuas, mas sei que gosto, gosto muito, de ti. Boa noite meu amor. Amanhã acordo-te com – o desejo de - um beijo de bons dias.

Tuesday, September 4

Queria poder estar contigo todos os dias e fazer cada um desses dias mais especial que o anterior. Poder aliviar cada tristeza com um abraço teu, e fazer de conta que eras o meu pai a abraçar-me como quando eu tinha 5 anos. Poder dizer-te ao ouvido que te amo cada vez mais baixinho para que o tenha de repetir mais e mais vezes. Queria que sorríssemos os dois, um com o outro, e que o ruído de fundo fosse o som das ondas do mar onde tantas vezes te abraçavas a mim para mergulharmos. Queria que ficássemos na praia a ver o pôr-do-sol e que me acordasses pouco depois de nascer. Queria. Queria poder sentir outra vez o calor dos teus dedos entrelaçados nos meus e o sabor a pêssego dos teus lábios sempre colados aos meus. E queria que os nossos olhares continuassem a bilhar um com o outro. Os nossos olhares. Oh os nossos olhares, eternos e fieis. E nossos. Queria. Queria-te. Comigo.
Já perdi a conta dos dias passados sem escrever, sem sentir o poder que os sentimentos podem ter nas palavras e no que escrevemos, e quase me esqueci do que sentia ao expressá-los nesta página de word branca que me encorajava a escrever. E é por isso que, esta noite, aqui volto, entre melodias que me levam a sonhar e a sentir tudo, como se fosse a primeira vez, aqui perdida entre memórias deste verão, esquecendo o tempo que passou e que já não pode ser alterado. E é aqui, esta noite, que me apetece fugir e abraçar quem eu mais quero, quem me faz sentir protegida só por uma palavra ou um sorriso, alguém que parece que está no fim do mundo mas no fundo aqui tão perto. Entre explosões de emoções e memórias, entre saudades e tristeza por estes quilómetros que nos separam, ofereço-te o meu coração. A ti. A ti que também me ofereceste o teu, sem te exigir nada, sem esperar, sem imaginar sequer. A ti. Só a ti, que agora consegues estar mais perto de mim que quase eu própria. Só por isso, é teu. Todo teu. E sabes, tens o sorriso mais bonito do mundo.