Sunday, March 24

“Não perdemos aqueles que amamos de um momento para o outro, a não ser quando a morte os leva. Na verdade, perdemos aqueles que amamos a cada decepção que eles nos dão, a cada ausência de um gesto de atenção, de mimo, de amizade ou de respeito. Vamos perdendo aqueles que amamos quando percebemos que não nos amam da mesma maneira, quando eles se instalam na nossa vida mas não se decidem a assumi-la, quando nos sentimos usados, alugados, e, consequentemente, desconsiderados. O processo de deixar de amar alguém que faz parte da nossa vida é complexo, penoso e tudo menos linear. O tempo passa, as coisas não mudam e nós ainda amamos aquela pessoa, mas amamos cada vez menos coisas nela, porque o que não gostamos ou não aceitamos vai crescendo como uma bola de neve. Até ao dia em que a bola já é tão pesada que nada a segura, e rola montanha abaixo a uma velocidade cada vez maior, segundo a lei da força cinética, ganhando peso no embalo, e nós enrolados nela.”

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